Ambos os modelos apresentam vantagens e desvantagens significativas. Futuro do desenvolvimento urbano provavelmente reside em juntar as coisas positivas de cada um
O debate entre modelos urbanos compactos e dispersos tornou-se central na discussão sobre o futuro das cidades. À medida que o mundo continua a urbanizar-se, a questão já não é se as cidades crescerão, mas como deverão crescer. Deveria a expansão urbana ser contida, promovendo a densidade e usos mistos dentro dos limites existentes, ou deveria expandir-se, oferecendo mais espaço, densidades mais baixas e mobilidade individual? A resposta não é simples, pois ambos os modelos apresentam vantagens e desvantagens significativas em termos de sustentabilidade, qualidade de vida e desempenho econômico.
O conceito de cidade compacta enfatiza alta densidade, uso misto do solo, transporte público eficiente e bairros acessíveis a pé. O seu principal objetivo é reduzir o consumo de terra e o impacto ambiental, melhorando ao mesmo tempo a interação social, o acesso aos serviços e a mobilidade.
Do ponto de vista ambiental, as cidades compactas tendem a ter menor consumo de energia per capita e emissões de carbono mais baixas. Distâncias de viagem mais curtas incentivam caminhadas, ciclismo e o uso de transporte público, reduzindo a dependência de automóveis. A concentração de serviços e habitação também permite infraestruturas mais eficientes –menor custo per capta– e os serviços públicos podem ser fornecidos a custos mais baixos por residente. Além disso, a compactação urbana ajuda a preservar as áreas rurais e naturais circundantes, mitigando a expansão da cidade e a degradação ecológica associada.
No entanto, o modelo compacto apresenta desafios. O desequilíbrio entre a elevação de potencial construtivo, e o aumento dos valores dos terrenos e infraestrutura associada, pode levar a dificuldades de produção e a crises de acessibilidade, como se verifica em cidades como Londres e San Francisco. O aumento da densidade também pode agravar problemas como ruído, congestionamento e espaço verde limitado. Se não for cuidadosamente planejada, a compacidade pode resultar em ambientes superlotados que prejudicam a própria habitabilidade que pretendem promover. A chave reside no equilíbrio –conceber cidades compactas que sejam densas, mas humanas, eficientes, mas inclusivas.
Cidades dispersas ou em expansão, típicas de muitas regiões metropolitanas da América do Norte e da América Latina, são caracterizadas por habitações de baixa densidade, usos do solo monofuncionais, e forte dependência de automóveis. Cidades dispersas oferecem vantagens como áreas de convivência maiores, ambientes mais silenciosos e percepção de segurança, que continuam a atrair famílias de classe média em busca de qualidade de vida.
No entanto, este modelo tem desvantagens significativas. A expansão urbana consome vastas extensões de terra, invadindo terras agrícolas e ecossistemas naturais. Exige também extensas redes de infraestruturas –estradas, esgotos e serviços públicos– cuja manutenção é dispendiosa. A dependência do automóvel leva a maiores emissões de gases do efeito de estufa, poluição atmosférica e desigualdade social, uma vez que aqueles que não têm acesso a veículos têm mobilidade limitada. Além disso, as cidades dispersas sofrem frequentemente de fraca coesão social, uma vez que a distância física desencoraja a interação comunitária e reduz o acesso aos espaços públicos.
O futuro do desenvolvimento urbano provavelmente não reside na escolha de um modelo em detrimento de outro, mas na integração das suas melhores características. Os avanços tecnológicos, como o teletrabalho, os sistemas de mobilidade inteligentes e as redes de energias renováveis, também abrem novas possibilidades para formas suburbanas sustentáveis.
A cidade ideal do futuro deverá conciliar densidade com habitabilidade, proximidade com diversidade e crescimento com equilíbrio ecológico. Enfatizará o acesso em detrimento da mobilidade –garantindo que as pessoas possam alcançar empregos, serviços e lazer em distâncias curtas– mantendo ao mesmo tempo habitação acessível e infraestruturas verdes. Compactas ou dispersas, o princípio orientador deve ser o planejamento centrado no ser humano.
Não se trata de definir qual seria teoricamente o melhor modelo, mas como cada cidade pode adaptar o crescimento do tecido urbano a sua geografia, cultura e realidades econômicas, da melhor forma. Esperemos que o futuro urbano não seja definido pela uniformidade, mas pela diversidade inteligente –cidades que aprendem tanto com a compacidade como com a dispersão– , para criar ambientes onde as pessoas e a natureza possam prosperar juntas.
Fonte: https://secovi.com.br/noticias/
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